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Cavaquinho
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Álbum:
Luar-do-Chão

O show ‘Luar-do-chão’ apresenta o álbum homônimo do cantor, compositor e violonista baiano, Flávio Assis (43). Neste novo trabalho, Assis reafirma as matrizes afro latina-brasileiras que sustentam sua obra, e desenha os contornos de um espetáculo que frui por ritmos como ijexá, aguerê, candombe, baião, samba coco, e as sonoridades traduzidas no recôncavo baiano: o samba chula, o samba de roda e o bailar das umbigadas. O espetáculo alude à obra ‘Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra’ do escritor moçambicano, Mia Couto, e a história ficcional de Luar-do-chão, onde o artista traduz as questões do seu tempo e a polifonia da música de terreiro. Do bojo do seu violão, Assis funde Caymmi, Luiz Gonzaga e Gilberto, as suas maiores influências, em um repertório autoral marcado pela trova poética, e arranjos que conectam o samba de roda às células do blues; o coco, a chula e a capoeira que se entrelaçam ao candombe (ritmo típico uruguaio) e ao carimbó, em um enleio de África, Caribe e os tons do Brasil profundo. Para este espetáculo de lançamento do álbum, a voz e o violão de Assis são acompanhados por: Leonardo Mendes (guitarra, viola machete, violão dobro e aço); Antonio Porto (baixo elétrico); e Cauê Silva (percussão).

Ficha Técnica do Álbum:

Flávio Assis – composições originais, concepção artística e musical, voz e violão nylon.

Antônio Porto – baixo elétrico e percussão

Cássio Calazans – guitarra elétrica

Ricardo Braga – percussão

Leonardo Mendes – guitarra elétrica e viola machete

Cauê Silva – percussão

Allan Abbadia – trombone

Yaniel Matos – violoncelo

Messias Britto – cavaquinho

Tiganá Santana – participação especial na faixa, Afrolusa

Aiace – participação especial na faixa, Mãe preta

Pastoras do Rosário – coro na faixa, Dona sinhá

Ronaldo Gama – regência no coro das Pastoras do Rosário

Alencar Martins – direção executiva, captação, edições, mixagem e masterização

Paulo Gianini – assistente de gravação

Alan Jeff – arte e design da capa do álbum. 

​Débora Venturine - assessoria de imprensa

Gravadora – Selo Juá

Gravado, editado, mixado e masterizado no estúdio Juá, em São Paulo-SP, entre outubro de 2022 e junho de 2023.

1. Sua benção, Makota Valdina!

Logo na abertura tive a intenção de trazer a voz da ancestralidade, na figura da educadora e ativista baiana, Makota Valdina (1943-2019). Trata-se de uma fala de afirmação de um ensinamento da filosofia bantu, que compreende os seres humanos como sujeitos nascidos para o bem viver que, tal qual ao sol, todos os dias nascemos e nos pomos, e que é preciso que saibamos erguer os feixes de luz que há dentro de nós, para encararmos a vida com sabedoria, e lutar por nossa porção diária de felicidade. - Ficha técnica: Makota Valdina – áudio com ensinamento africano da cultura bantu; Ricardo Braga - Berimbau

2. Oriki de Xangô

Depois de pedir licença à ancestralidade, saúdo o meu orixá, Xangô. Dono do meu orí (cabeça em tradução livre do iorubá), senhor da justiça, guardião dos valores e ensinamentos da filosofia africana. A música funde os toques do candomblé com a clave do samba sincopado, bem à guisa do mestre João Bosco. É minha primeira parceria com o compositor paulista, Lello Di Sarno. Esta canção, de muitos modos, também é uma homenagem a uma das minhas maiores influências, o mestre mineiro, Bosco. A faixa conta com a participação especial do trombonista, Allan Abbadia. - Ficha técnica: Flávio Assis e Lello Di Sarno - composição Flávio Assis – voz e violão nylon Antonio Porto – baixo elétrico Ricardo Braga – percuteria Allan Abbadia – Trombone

3. Árvore, a curandeira

Esta canção eu compus em homenagem à minha avó paterna, cuja vida foi inteira dedicada à cura e ao cuidado através do poder medicinal das folhas da mata. Filha do Baixo Sul da Bahia, a minha avó era uma típica curandeira, a médica ancestral da sua comunidade, um instrumento da ação sagrada dos encantados na promoção do amor à vida, às pessoas e ao mundo. Nesta faixa, apenas voz, violão e um arranjo de cuidadoso violoncelo, do músico cubano Yaniel Matos, emolduram o ritmo do maracatu, em andamento vagaroso, como quem saboreia cada instante da melodia. - Ficha técnica: Flávio Assis – composição, voz e violão nylon Antonio Porto – baixo elétrico Yaniel matos - violoncelo

4. Luar-do-Chão

Esta é a canção que dá título ao álbum. A compus tomado pela leitura da obra, Um rio chamado tempo, uma casa chamada terra, do escritor moçambicano, Mia Couto. Composta em ritmo de samba chula (característico do recôncavo baiano), Luar-do-chão é uma trova-poética que narra a saga do povo brasileiro, e sua capacidade de produzir milagres sob a égide do horror, a exemplo de tudo que foi o período colonial brasileiro as marcas profundas da escravidão. Esta faixa conta com a participação especial do músico, Leonardo mendes, acompanhando com a viola machete. - Ficha técnica: Flávio Assis – composição, voz, violão nylon e palma de mão Antonio Porto – baixo elétrico e palma de mão Ricardo Braga – congas, xequerê, pandeiro, palma de mão, prato e faca; Leonardo Mendes – viola machete

5. Sobre peões e cidade

Quando me mudei para a cidade de São Paulo, em março de 2013, era tempo de construção dos estádios (conhecidas como arenas) para a Copa do Mundo de futebol do ano seguinte. Justo na construção do estádio do Corinthians, o mais popular, ocorreu um acidente fatal, vitimando três funcionários da empreiteira responsável pela obra. Acompanhava tudo através de um programa esportivo na tv, que mantinha uma repórter in loco na cobertura do acidente. A certa altura, esta mesma repórter trouxe a questão de como ficaria o calendário de entrega da obra, o quanto aquele “acidente” poderia atrapalhar o cumprimento dos prazos. Fiquei estarrecido diante daquele que para mim, era um falso dilema. Então compus esta canção como forma de desabafo ao senti naquele monto. É uma crítica social, quem tem os pés no clássico Construção do mestre Chico Buarque. Aliás, eu brinco que esta canção é a minha Construção, com toda licença e desculpas que devo ao mestre cancioneiro. - Ficha técnica: Flávio Assis – composição, voz e violão nylon Antonio Porto – baixo elétrico Cauê Silva – percuteria Leonardo Mendes – guitarra elétrica

6. Afrolusa

Primeira parceria minha com Tiganá Santana, que compusemos ainda no tempo que morava em Salvador, no ano de 2010. É uma homenagem nossa à língua portuguesa, os territórios dos seus falares, as geografias da tua prosódia, as territorialidades do teu amalgama, a confluência dos muitos idiomas em um só, potente e único na forma que nós, brasileiros, concebemos a língua portuguesa, profundamente afro-indígena. - Ficha técnica: Flávio Assis e Tiganá Santana – composição Tiganá Santana – voz e declamação do quinto poema do livro de contos e poesia, ‘Oco-transbordo’ de sua autoria Flávio Assis – voz e violão nylon Ricardo Braga – jambê Leonardo Mendes – viola machete

7. Benjamin Onirê

Composição original para cinema, como trilha do filme Corpo Quilombo (2019), do diretor Leonel Costa. É uma homenagem ao compositor, cantor e artista circense, Benjamin de Oliveira (1870-1954), considerado o primeiro palhaço negro do Brasil. É um baião cheio de bossa e jazz, que tanto me ensinou durante seu processo de feitura. - Ficha técnica: Flávio Assis – composição, voz e violão Antonio Porto – baixo elétrico Ricardo Braga – percuteria Cassio Calazans – guitarra elétrica

8. Mãe preta

Trago, ainda vivo na memória, um episódio que testemunhei na minha infância, no bairro do Cabula em Salvador. Em uma operação policial no Morro do São Gonçalo do Retiro, um desfecho comum à nossa história: o massacre de corpos negros sob a justificativa da guerra às drogas. Muito tempo depois, já residindo em São Paulo, a história se repetiu. Em 2019, policiais encurralaram participantes de um baile funk na favela de Paraisópolis, na zona Sul da cidade. Nove jovens negros morreram espremidos em uma viela. Fiquei pensando na dor das mães desses jovens; na angústia da espera, do filho que saiu, mas não retornou para casa. A canção nasce disto, desta dor lancinante, tão comum a tantas mulheres negras, Brasil afora. Imediatamente me ocorreu a companhia de uma voz feminina para interpretá-la. Então, fiz o convite a Aiace, cantora baiana, de Salvador, uma mulher negra cujo canto tem sido dedicado a interpretar o Brasil profundo. A faixa também conta com a participação especial do cavaquinhista baiano, Messias Britto. - Ficha técnica: Flávio Assis – composição, voz e violão Aiace – participação especial Antonio Porto – baixo elétrico Ricardo Braga – percuteria Messias Britto - cavaquinho

9. Samba atemporal

Canção que evoca o princípio da ancestralidade a partir do samba, como o ritmo elo entre Brasil e África, forjado na diáspora do atlântico negro, como no dizer do sociólogo britânico, Paul Gilroy. É um samba chula, desconstruído de elementos tradicionais, a exemplo do pandeiro e da viola machete, quase que um samba-blues, que põe o ritmo ancestral em uma roupagem moderna, como contraponto à faixa-título do álbum. - Ficha: Técnica Flávio Assis – composição, voz e violão Antonio Porto – baixo elétrico Ricardo Braga – percuteria Cassio Calazans – violão dobro

10. A ribeira e o caminho

Esta canção foi inteiramente feita a partir de um sonho, compus letra e melodia de uma única vez. Busquei reproduzir as imagens que ficaram vívidas na memória, registrei tudo em um caderno de anotações, todos as imagens e paisagens que pude me lembrar do sonho. Toda melodia é embalada por uma toada, com ar de baião, de arranjo minimalista, apenas voz, violão, moringa, baixo e guitarra. - Ficha técnica: Flávio Assis – composição, voz e violão Antonio Porto – baixo elétrico Ricardo Braga – moringa Cassio Calazans – guitarra elétrica

11. Azulou

Compus esta canção logo quando cheguei a São Paulo, embalado pela saudade de um amor que deixei na Bahia. É um ijexá, de andamento intencionalmente lento para conferir o ar de canção amorosa do álbum. - Ficha técnica: Flávio Assis – composição, voz e violão Antonio Porto – baixo elétrico Ricardo Braga – congas e efeitos Cassio Calazans – violão dobro

12. Boi de Reis

Homenagem que presto aos mestres da cultura do Reisado da Paraíba, e os territórios de ocorrência dessa importante manifestação da cultura popular nordestina. É um típico samba coco, bem definido pela clave do pandeiro, mas que flerta, ora com o samba chula, através do pinicar do violão nylon, ora com o blues através do violão aço, um elo rítmico entre o Mississipi e o Moxotó. - Ficha técnica: Flávio Assis – composição, voz, violão nylon e palma de mão Antonio Porto – baixo elétrico, violão aço e palma de mão Ricardo Braga – pandeiro, palma de mão e pad.

13. Dona Sinhá

A faixa que fecha o álbum, é um samba de roda e retrata a lógica da mestiçagem no Brasil, as contradições presentes no processo de formação do povo brasileiro e, obviamente, aborda aspectos do racismo à brasileira através de uma história ficcional de uma mulher branca e sua relação com o mundo da comunidade negra à sua volta. Esta faixa conta com a participação muito especial das Pastoras do Rosário – nove mulheres negras e mantenedoras das tradições culturais da Igreja do Rosário dos Homens Pretos, no bairro da Penha, na zona leste da cidade de São Paulo. - Ficha Técnica: Flávio Assis – composição, voz, violão nylon e palma de mão Antonio Porto – baixo elétrico, violão aço e palma de mão Ricardo Braga – percussão e palma de mão Leonardo Mendes – viola machete Pastoras do Rosário – coro
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